Segunda-Feira - 13.07.2011- ESTAÇÃO DO CAMINHO DA GRAÇA - D.CAXIAS - RJ

Segunda-Feira - 13.07.2011- ESTAÇÃO DO CAMINHO DA GRAÇA - D.CAXIAS - RJ
JESUS CRISTO, É O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA.

DIVULGAÇÃO DE ENCONTRO DE ESTAÇÕES NO RIO DE JANEIRO.

EDITOR DESTE BLOG: CARLOS VARGAS ( CEL. 21-9863-1122).

PRÓXIMO ENCONTRO DE COMUNHÃO DA ESTAÇÃO CAMINHO DA GRAÇA EM DUQUE DE CAXIAS ( Ligue para os tels abaixo)

ENDEREÇO:RUA PROFº DE SOUZA HERDY, Nº 994 ( RUA DA AFE - UNIGRANRIO ).NA OUTRA QUADRA APÓS O BAR DO ZECA NO SALÃO DO TILKAS. NO TOLDO AZUL.

INFORMAÇÕES: Ricardo Cel.:9456-2566 ( CLARO)/ Cel.8844-6269 Cláudio.Traga doações de cobertores e alimentos não pereciveis,para assistência aos desabrigados.

O CAMINHO DA GRAÇA é um movimento em movimento que se identifica com o EVANGELHO de Jesus de Nazaré e com todos que se identificam com o EVANGELHO.

Se você deseja saber onde encontrar Estações do Caminho da Graça pelo Brasil clique aqui e entre em contato com os mentores responsáveis.

http://www.caiofabio.net/conteudonews.asp?codigo=6

Todos os dias as 09H00 você pode assistir o PAPO DE GRAÇA ao vivo com Caio Fabio e o dia todo você pode ver e ouvir do EVANGELHO de Jesus de Nazaré assistindo a VEMEVETV.

http://www.vemevetv.com.br/

O site www.caiofabio.net concentra um conteúdo de informações e reflexões sobre temas os mais variados. É só acessar e colocar uma palavra no espaço “buscar” e você poderá se instruir a respeito do que lhe interessar.

No BLOG DO CAMINHO DA GRAÇA http://blogcaminho.blogspot.com/ você encontra atualizações diárias sobre tudo que vem acontecendo no Movimento Caminho da Graça.

CAMINHO NAÇÕES http://www.caminhonacoes.com/ te deixa inteirado sobre todas as iniciativas para fora do Brasil do Movimento Caminho da Graça.

Aqui você se informa como participar do MOVIMENTO PEQUENINOS DA NIGERIA

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Caminho da Graça Estação Virtual http://estacaocaminhovirtual.blogspot.com/p/chat.html

Lembrando que as reuniões acontecem as TERÇAS FEIRAS , virtual mas muito intensamente, as 20:30h (horario de Brasilia).

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Recomendamos aos que desejam saber mais sobre o conteúdo do que ensinamos no Caminho da Graça que leiam as reflexões no site www.caiofabio.net , leia os livros SEM BARGANHAS COM DEUS, ENIGMA DA GRAÇA e o CAMINHO DO DISCIPULO ou acompanhe pela VEVTV as QUARTAS FEIRAS 20h00.

Você pode se dirigir pessoalmente a um dos mentores do Caminho da Graça através dos contatos que estão em cada um dos links acima registrados.

Voce pode encontrar ajuda sobre sua caminhada como pessoa, como ser humano e ser acompanhado na jornada espiritual, emocional, psicológica, relacional, buscando nestes links acima citados os mentores indicados pra estes serviços que disponibilizamos.

Todos são bem vindos entre nós.

Graça, paz & todo bem.


Numa Estação do Caminho da Graça você encontrará o que Jesus encontrava pelo caminho — ou seja, GENTE! Gente quase sem problemas. Gente com problemas. Gente com muitos problemas. Gente atolada em problemas. Gente-problema. Gente solucionadora de problemas apesar de serem perseguidos por problemas. Gente se casando. Gente que chegou descasada e se recasou. Gente que vivia traindo e parou de trair. Gente que ainda trai. Gente que se encara. Gente que mente e nunca se encara. Gente que muda. Gente que ouve, ouve, gosta, mas não muda. Gente madura. Gente infantil. Gente que entendeu. Gente que está entendendo... Gente que não entendeu nada ainda. Gente que vai lá e supostamente anda conosco por interesses de todas as ordens... Gente que logo vê que é vista em sua dissimulação. Gente que aceita a verdade. Gente que gosta de tudo até que a verdade as moleste.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

ESTRADA & CAMINHO - SALMO 84


INTRODUÇÃO:
Esse é o salmo do peregrino. É o salmo que inspirou muitas gerações de pessoas na terra de Israel que reuniam-se uma vez no ano para irem ao templo adorar a Deus. Esse era o salmo do caminhante, era o salmo da jornada, o salmo da estrada. A medida em que eles iam se aproximando do templo, as alegrias do coração se manifestavam e o salmo era falado como uma jornada do caminho, como uma confissão da estrada de quem queria chegar num lugar da adoração. Nós não somos hoje pessoas do templo, o templo somos nós, não temos nenhuma devoção por pedras, colunas... Somos santuário de Deus, somos habitação de Deus no Espírito. Portanto, a leitura desse salmo já não nos serve como uma inspiração para quem está indo a um lugar de culto; seria de uma pobreza primitiva enorme a gente pensar assim. Mas, é sobretudo uma viagem existencial para esse lugar aonde Deus tem o seu pouso em nós e aonde nós temos o nosso pouso em Deus, aonde a gente se aninha em Deus no caminho.
"Quão amáveis são teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!
A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!
O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes;
eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva.
Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião. Senhor, Deus dos Exércitos, escuta-me a oração; presta ouvidos, ó Deus de Jacó! Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente.
Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia."

A GRANDE QUESTÃO DO CAMINHO, É COMO VOCÊ ANDA NO CAMINHO.A gente costuma associar a vida a uma estrada... Há aqueles jargões cansativos que toda hora nos acomete do tipo: na estrada da vida. E é, sem dúvida alguma, algo útil para nós, pensar que a vida é alguma coisa que se assemelha a uma estrada. A imagem da estrada é útil para entendermos a idéia do caminho. É útil porque aponta numa direção, numa via, e é útil porque há um caminho na estrada, mas não há uma estrada no caminho. Ou seja, a imagem da estrada me remete para o fato de que estou andando na direção de algum lugar, isso me é útil porque na vida não existe essa opção de não se estar andando. Não existe essa chance de não ser e de não ir. De outro lado, essa imagem da estrada é útil para nós porque nos mostra isso.No caminho de Deus que a gente anda, não existe uma estrada fixa, de modo algum. Na mente da gente, na maioria das vezes, quando se pensa em andar com Deus, o que se apresenta é uma idéia de uma estrada fixa. Aí alguém chega e diz assim: "Jesus é o caminho". Aí o sujeito imagina Jesus como sendo a BR-1 de Deus, um caminho fixo. Aí você diz: "Como é esse caminho?". Então a pessoa te apresenta o manual de doutrinas, e você aprende aquelas doutrinas. Chega até o ponto de pensar que Deus não te ouviu, se você não mencionar a Trindade na oração: "Pai eu te peço em nome do teu Filho, no poder do Espírito Santo". Se não usar as três nomenclaturas, Deus ficou chateado. Já vi gente ser interrompida ou, após uma oração, receber admoestação de alguém que disse: "Escuta, você não falou em nome de Jesus". Porque se você não completar o pacote da estrada com todas as sinalizações dela, parece que você não está indo a lugar nenhum.Nesse sentido, a imagem da estrada não nos ajuda, porque nós não estamos caminhando num caminho fixo. Ele disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida". Não há fixidez, o que há é movimento na Verdade que conduz a gente na direção da Vida sempre. A estrada física conforme eu lhes disse é fixa. O caminho espiritual, por seu turno, é vivo e não é fixo. No caminho espiritual não existe fixidez da estrada, ou seja, o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente muda o caminhante e muda a estrada. Numa estrada física, fixa, não interessa como o caminhante caminha, a estrada é a mesma. Ele pode caminhar de maneira apressada, ou lenta, agitada, angustiada, calma, contemplativa, olhando em volta ou de maneira completamente alienada, a estrada é a mesma... Ele pode botar no automático e deixar ir. No mundo espiritual, no entanto, não é assim, não existe absolutamente nenhum chão fixo, por isso é que o justo vive pela fé, pisa no chão da fé e sabe sobretudo isto: o modo de caminhar e ver a estrada espiritualmente, muda o caminhante e muda a estrada. A estrada, acerca da qual a gente está falando hoje, é a existência de cada um de nós. Cada um de nós está numa estrada.COMO É QUE A GENTE ESTÁ CAMINHANDO NESSA ESTRADA?A estrada é chamada à existência, conforme o caminho do caminhante. Isso que é extraordinário, porque a minha estrada não existe por si só, ela é chamada à existência conforme o meu caminhar. A estrada é conforme ela é andada, essa que é a verdade! Nesse sentido, a estrada física-fixa fica pobre para ilustrar o caminho espiritual. A estrada física não muda com os caminhantes, ela permanece a mesma. Mas a estrada espiritual é feita pelo andar do caminhante, é produzida pelos teus pés. Por isso não se pode apenas dizer para alguém: "Olha só, vê ali, Jesus é o caminho, anda nele". Porque isso não vai significar absolutamente nada para pessoa, a menos que a pessoa ande e experimente. Nós, cristãos, temos uma mentalidade religiosa que nos faz pensar em Jesus como Caminho relacionado a alguma coisa que se assemelha a uma estrada física e fixa. Mas não é. E aí é que está o engano, e é aí que as coisas vão ficando pedradas dentro de nós. Por que a gente fica pensando que pela entrada na igreja, pela via do batismo, pelo aprendizado dos nossos jargões, dos nossos chavões, pela capacidade que a gente tem de papagaiar e repetir coisas que a gente ouve, ou simplesmente, porque nós fomos batizados e temos o nome arrolado num rol de membros de uma igreja ou participamos de determinadas formas de culto com certa regularidade e nos dizemos cristãos, nós somos de Jesus. E não é. Não existe fixidez no caminho de Cristo a menos que você ande nele. Não é possível você simplesmente dizer: eu sou de Jesus; se você não anda no Caminho. Essa mentalidade religiosa é que pensa no caminho de Jesus como se fosse uma estrada e que a gente pode botar o pé nela e andar do jeito que quiser. No caso da estrada, se a gente for andando, dado o tempo e o espaço, a gente chega lá. Todavia, o caminho espiritual não é assim. Você pode ter tido todas as informações que lhe façam pensar que Jesus é o Caminho, mas se você não andar conforme o Caminho, você não está no Caminho. E é aí que o bicho pega dentro de nós. O interessante é que a estrada física, como eu disse, não muda com os caminhantes, mas a estrada espiritual é feita pelo caminhante. E aí eu queria que você pensasse comigo no seguinte: Lembra da parábola do bom samaritano? Ela ilustra perfeitamente o que estou querendo dizer, antes de chegar no salmo. O que a gente tem ali é um caminho, uma estrada, que ia de Jerusalém para Jericó... mesma estrada... está fixa lá até hoje. Você pode fazer o caminho romano antigo dos dias de Jesus até os dias de hoje, ela esta lá, com pedras daquele tempo, com cenários que não mudaram, uma estrada. Aí Jesus disse que, naquela estrada aconteceu uma coisa que envolveu cinco pessoas. Uma mesma estrada, cinco caminhos diferentes, uma mesma estrada que foi alterada pelo caminhar dos caminhantes. Um mesmo chão que virou chão diferente de acordo com a diferença da caminhada de cada um. O primeiro indivíduo que a gente encontra naquela estrada é um homem honesto, que saiu de casa e foi trabalhar. E no caminho para levantar o sustento para a vida, uma tragédia o acometeu. E ele foi deixado - largado, caído, assaltado, ferido, roubado, depravado e privado dos seus bens e do que tinha - ali abandonado. Caminho de um homem honesto roubado e largado na estrada. Tem um segundo homem nessa história, nessa estrada, é aquele que encontra o honesto que vem andando, querendo levantar o sustento para levar para casa e o assalta. Mesma estrada, um segundo caminho, caminho de violência, de expropriação, de covardia, de aproveitamento, de roubo, de engano. Mesma estrada, um homem honesto caído, um assaltante que se aproveitou da vida dele, e fez o seu próprio caminho. Aí passa uma terceira figura, um sacerdote, mesma estrada um terceiro caminho. O sacerdote vem e olha o homem, passa de largo, segue o seu caminho, caminho da indiferença, o caminho da incapacidade de se solidarizar, o caminho daquele que tem a sua agenda tão definida, que não tem espaço para qualquer parada. Esse é, sobretudo, o indivíduo que achava que a finalidade de cultuar a Deus num lugar sagrado, cumprindo uma liturgia, lhe era mais importante do que a parada para exercer a misericórdia com aquele que estava ali deitado. Uma mesma estrada, um outro caminho. Aí tem um quarto indivíduo que passa na mesma estrada, um levita. Ele viu o sacerdote passar e não fazer nada, e não fez nada também. Assumiu o caminho da omissão homicida, largou o indivíduo, fez que não viu, alienou-se, ligou o botão do auto-engano e se foi, insensível e impermeável. Aí vem um quinto indivíduo. Mesma estrada, um quinto caminho. Era um samaritano considerado herege pelos judeus, abominado pelo sacerdote e pelo levita. Mas ele passa e ele olha, e ele vê e ele se abaixa, ele socorre, ele cuida, ele pensa as feridas, trata delas, derrama sobre elas óleo e vinho. Cuida do indivíduo e o leva e o coloca numa estalagem e diz para o estalajadeiro: "Eu estou deixando aqui dinheiro, e se não for o suficiente, bota tudo na minha conta, porque quando eu passar de volta eu vou quitar tudo". A estrada para o primeiro homem era um meio de vida e ele caiu nela. Para o segundo homem era um meio de se aproveitar dos recursos do outro, era o caminho do aproveitamento e do engano. Para o terceiro homem, o sacerdote, era apenas uma estrada banal, aonde o que quer que acontecesse não lhe dizia respeito, porque ele era um desses indivíduos que se deslocava de um ponto para o outro e o que acontece no meio para ele não existe, ele é indiferente à vida. O outro é omisso, ele sempre olha para quem ele acha que lhe é superior na hierarquia, e diz: "Se ele não fez, porque que eu tenho que fazer". E há um aqui, para quem o caminho é o lugar de misericórdia, é o lugar onde a graça pode se manifestar e aonde o amor de Deus pode ser encarnado. Uma única estrada com caminhos diferentes. Isso nos ajuda entender e a discernir uma coisa fundamental para nós hoje: O caminho é chamado à existência pelo modo como eu ando.Nós estamos todos aqui reunidos em Brasília, no Hotel Fenícia, cada um veio de casa, e eu não sei o que vocês deixaram em casa. Mas eu sei uma coisa, que ainda que a vida seja completamente idêntica para nós, nós todos temos diferentes caminhos de vida. Você olha em volta e você vê pessoas tendo as mesmas oportunidades, respondendo a elas de modo completamente distinto, e vê pessoas não tendo oportunidades e respondendo a essas não-oportunidades de modo também completamente distinto. Anteontem, eu recebi uma carta quando eu ia chegando aqui. Um rapaz extremamente discreto me deu essa cartinha e falou: "Por favor leia, mas leia, leia mesmo". Eu já estava atrasado, entrando, e só dei um sorriso para ele e botei a carta no bolso. E a carta dele está aqui. Olha só como uma estrada que podia ser miserável se transforma num caminho de vida, por causa do pé de quem pisa, de como pisa, de como vê, de como enxerga, de como interpreta e de como chama coisa a existência para sua própria vida. "Estou lhe escrevendo essa breve carta a fim de externar o quanto sou grato a Deus pela sua vida, gostaria muito de um dia poder compartilhar com você de maneira mais detalhada minha caminhada. Pude saber quem era o meu pai biológico e conhecê-lo, foi uma experiência libertadora quanto a rejeição que tenho por parte do meu verdadeiro pai humano. Meu pai tem, o primeiro deles, a saúde regular apesar da doença e minha mãe nunca pegou uma gripe sequer por causa do HIV, isso é motivo de alegria. Deus tem feito muito em mim e o sonho que tenho como oração diante Dele é que eu me veja pacificado, fazendo de minha própria vida uma mensagem, mesmo que doa, assim como doeu aos profetas do Antigo Testamento. E assim como sei que tem doído em você. Mais uma vez muito obrigado Caio". Agora, pense em você. Eu faço atendimento de pessoas, e às vezes, a vontade que me dá é dar uma surra no cara. Tem pai em casa, mãe em casa, tudo bem, tudo certo, tudo legal, trabalho, emprego, saúde... Aí, há complexo para tudo que é lado, quanto mais a vida vai melhorando, mais complexificadas as pessoas vão ficando, mais cheias de manias. Lá na minha terra no Amazonas, nas barrancas dos rios, não existe depressão, o cara tem que cuidar de comer o pão, ralar mandioca, pescar de sol a sol, não tem tempo para se deprimir. Ou ele sai para trabalhar ou ele não come. Mas entre nós é diferente. A vida vai ficando mais complexa, a luxúria começa a habitar a alma, se instala no espírito como insatisfação crônica, e aí não interessa o que o indivíduo tem na estrada, a estrada pode ser a favor dele, pode ser ladeira abaixo, pode ser pastos verdejantes, pode ser como for. Aonde, ele puser o pé a estrada vai mudar, porque ele chama a existência o seu próprio caminho. Agora, você tem aqui, um cara com tudo para não estar se sentindo grato, para estar pedindo aconselhamento. Mas, ele chamou a existência um outro caminho, apesar da estrada ter sido perversa. A estrada foi horrível, mas o caminho está sendo lindo. A mesma estrada, a mesma vida, o mesmo chão, a mesma existência sob o mesmo sol, cercados pelas mesmas circunstâncias, caminhos diferentes. Porque o caminho está dentro de mim, o caminho está dentro de você. Isso foi só uma introdução para a gente chegar no salmo (risos). Só que eu prometo que eu serei mais rápido do que nunca. ****Quando a gente olha para o Salmo 84, vê que ele nos dá esse referencial, de como é que a gente - andando na estrada, qualquer estrada, na estrada comum, na estrada de todos – pode ir tecendo nosso próprio caminho. COMO FAZER NOSSO CAMINHO NA ESTRADA? 1- Em primeiro lugar, ele diz que isso acontece quando eu carrego meu ser enternecido Ter um ser enternecido é a primeira coisa. Gente amargurada, vai pisar em chão de amargura, qualquer que seja o caminho. O salmo fala de um coração enternecido. "Quão amáveis são teus tabernáculos, a minha alma suspira e desfalece", ele está apaixonado, "o meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo". O que você tem aqui, existencialmente falando, é um ser enternecido por Deus. 2- E, em segundo lugar, o salmo ensina que qualquer que seja a estrada pode virar caminho bom e caminho de Deus, se eu ando com a segurança de quem, se sabe, sendo capaz de encontrar pouso, refúgio, agasalho, apenas em Deus. Essa carta, que eu li hoje aqui, é de um indivíduo, que com doze anos disse que foi visitado por uma plenitude que ele não sabia nem qual era. Depois falou em línguas, ele disse: "O menor dos dons, e eu não achava que nem era crente o suficiente para receber aquilo, por causa da mentalidade de causa e efeito, de legalismo". Mas Deus violou o legalismo da criança, e derramou a graça dele sobre ela, razão pela qual hoje aos 24 anos de idade, a estrada é perversa, mas o caminho dele é bom. Olha só o que diz o verso 3- "O pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos". Essa segurança de quem pousa no ninho de Deus, Deus é meu pouso. Boa parte da razão pelo qual a estrada se torna insuportável, é porque a gente vive fantasiando, e criando e projetando, e imaginando e elocubrando coisas e cenários e situações que não são reais. E a gente faz sempre isso para o lado de fora, a vida só nos é boa se ela for pintada com um cenário exterior que nos agrade. E quando isso acontece na maioria das vezes, a gente vem a descobrir que o mundo pode estar pintado de paraísos, se você não carregar no peito o caminho da vida, tudo vai perecer e desvanecer diante de você. O coração encontra significado no caminho quando ele diz para si mesmo:"Eu não tenho bem nenhum senão a Ti Senhor. Tu és meu pouso". Quando Deus é meu pouso, quando Nele eu tenho meu tesouro, o meu refugio, o meu ninho, o meu agasalho, aí nada me faltará. Quando eu acho que as coisas que me faltam, me precisam ser dadas para que eu me sinta satisfeito, eu posso ter todas as coisas e jamais estarei satisfeito. No entanto, no dia em que meu coração estiver enternecido por Deus e que todo meu sentido de segurança, de agasalho, de carinho, de conforto, de aconchego estiver Nele, não importa qual seja a estrada, vai virar um caminho de vida. 4- Mais do que isso, o salmo diz que a estrada se transforma num caminho de vida quando eu carrego dentro de mim um louvor existencial na casa do meu ser. Olha só que diz o verso 4: "Bem-aventurado Senhor os que habitam em tua casa, louvam-te perpetuamente". Lá no Velho Testamento, eu disse que era um caminho na direção do templo, hoje o templo está aqui. E é um chamado para um caminhar existencial de contentamento, aonde a gente olha a vida com outros olhos e aí qualquer estrada vai virar caminho de vida. 5- E além disso, qualquer estrada vira caminho de vida, quando eu levo em mim a atitude de quem transforma vales áridos em mananciais. Olha os versos 5 e 6: "Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual passando pelo vale árido faz dele um manancial, de bençãos o cobre a primeira chuva". Esse vale árido, lá no texto hebraico é chamado de vale de Baca, uma das alusões a ele está lá no livro de Juízes, quando se diz que o povo chorou em Boquim, depois que tinham pecado contra Deus e o anjo do Senhor veio e falou com eles face a face e eles choraram muito e chamaram aquele lugar de Boquim. É daí que vem a derivação para o Baca. Ele diz que bem-aventurado é aquele que passando pelo vale de Baca faz dele um manancial. 'Vale de Baca' era o vale de lágrimas, é o lugar aonde os chorões cresciam e crescem. Até hoje das imediações de Jerusalém, quando você chega no vale de Efraim, você ainda vê uma quantidade enorme de salgueiros e de chorões e também de árvores que derramam uma resina, daí o nome ter sido vale das lágrimas também, tanto por causa da ocorrência no livro de Juízes, como também por causa desse significado vegetal de um lugar aonde as plantas choram. O caminho para o templo passa por ali, que é também vale dos gigantes, vale de Efraim. E se diz: Bem-aventurado é homem que passando pelo vale de Baca, o vale árido, faz dele um manancial, de bençãos o cobre as primeiras chuvas. Mesma estrada, mas o caminho pode ser diferente. Estou dizendo isto porque eu fico chocado com o fato de que todos os dias eu ouço gente dizendo que é de Jesus e que está no caminho, mas você olha para vida do indivíduo... E isso não tem nada haver com ter, com possuir, com adquirir, com crescer do ponto de vista material. Tudo isso é 'bobajada' que vem sendo ensinada por nós e para nós nas ultimas décadas. Todo essas coisas tem o seu lugar mínimo e Jesus disse que se nós nos atrelarmos muito a elas, corremos o risco de perder a alma e o coração. Elas estão ao nosso serviço e não nós serviço delas, e muito menos tendo-as como bens do nosso ser. Fazer isso é caminho de destruição, mas eu fico vendo as pessoas dizendo: eu tenho Jesus, eu sou alguém que crê nele. Mas como alguém disse hoje de manhã na hora do almoço: mas a gente não vê os resultados, não aparece nenhum resultado. Andar no caminho tem que produzir resultado. Se eu não puder ser de Jesus e na hora de passar no vale árido, no vale de Baca, no vale de lágrimas, transforma-lo num manancial, que fé é essa que me anima? Que caminho é este? Se eu não puder enfrentar a dor, a perda, a lágrima, com um bálsamo da Graça de Deus. Se eu não puder ter dentro do coração: a visão, a imagem, a fé, a certeza, a esperança de que eu posso cavar poços no deserto, porque Deus na sua Graça vai enchê-los, vai chover sobre eles, a minha estrada vai ser sempre uma estrada de morte, de amargura, de frustração, de decepção, de perda, nunca será caminho de vida, jamais. 6- A estrada vira caminho de vida também, quando eu levo em mim a consciência da mutualidade como mandamento da jornada. Ou seja, eu não estou andando só, eu preciso de você, e você de mim, é nessa troca que a gente vai. Subitamente o texto passa a ser plural no verso 7, e diz: "Vão indo de força em força, cada um deles aparece diante de Deus em Sião". É um ajudando o outro. Nesse caminho, infelizmente, o que a gente mais encontra é um passando a perna no outro, julgando o outro, medindo o outro, avaliando o outro, por isso que não é caminho, é só estrada. O que a gente precisa admitir é que a maioria de nós não está no caminho, a gente está na estrada da religião, e na estrada da religião é assim olho aberto. Conforme Jesus disse: símplices como as pombas e prudentes como as serpentes, porque tem fariseu na reta. Religião não te oferece um caminho, te oferece uma estrada e é bom você ser esperto. Agora nós estamos falando de caminho, e no caminho "um ao outro ajudou e ao seu próximo disse: Sê forte!" No caminho um levanta o outro. No caminho a gente não quer saber quem é o indivíduo caído, a gente só quer saber que ele está caído. No caminho o samaritano é o herói da história do amor fraternal. E ele não faz perguntas. No caminho não existe discussão religiosa, no caminho ninguém diz: "Você aceita Jesus antes de eu lhe fazer este bem?". No caminho ninguém diz: "Os assaltantes o assaltaram porque você não estava com o anjo do Senhor acampado ao seu redor". No caminho ninguém diz: "Olha se você fizesse a confissão positiva e dissesse: Eu declaro bandido, tu estás amarrado. Ele não teria te assaltado". No caminho a gente levanta, a gente se dobra, a gente cuida, a gente não faz perguntas, a gente carrega, a gente leva. No caminho não tem proselitismo, não tem prosa, não tem conversa fiada, tem ação, tem amor, tem misericórdia, tem graça, tem vida, tem gesto. A maioria de nós está na estrada da religião cristã, poucos de nós estamos andando no caminho de Jesus, e é só quando nos dermos conta disso que temos alguma chance de ser salvo da estrada, para poder, no chão da vida, ver o caminho mudar debaixo de nossos pés. Porque é o caminho da fé que chama o próprio caminho da vida à existência para nós. 7- E ainda, a estrada vira caminho, quando a gente leva consigo a certeza, de que há o Deus de poder na nossa vida e de graça nesse caminho. Os versos 8 e 9 fazem essa evocação dessas duas realidades de Deus: Senhor Deus dos Exércitos, dos Exércitos, do poder, escuta minha oração, presta ouvidos, ó Deus de Jacó - do cara ambíguo, o Deus do 'vermezinho', o Deus do homem que tem luz e que tem sombras, o indivíduo que carrega todas as dualidades da vida. No caminho, eu sei que eu conto com essa assistência: há poder e há graça. Isso não é retórica, isso é fato. E bem-aventurado é aquele que crê nisso e toma posse disso. 8- E a estrada seja ela qual for, vira caminho de vida, se eu ando com a consciência de que o que vale na vida não é quantidade, mas é qualidade. Eu achei tão bonitinho quando ele disse: "Passei aqui no concurso público e agora eu posso manter a mim mesmo". "Manter a mim mesmo!" Nós estamos tão empedernidos que a gente não consegue mais nem ter a sensibilidade de discernir a benção que significa manter a si mesmo. Comer o pão com dignidade, beber com dignidade. A gente acha que se for de Deus uma mansão nos aguarda no lago. Se você tiver aleluia! Convide os irmãos, me chame para ir lá eu vou com muita alegria. Mas pelo amor de Deus, não faça disso seu sonho de consumo. Paulo disse: "Tendo com que comer e beber, e vestir, e viver com dignidade, sejamos gratos". Bela essa singeleza: Deus me deu os meios de poder manter a mim mesmo. Essa gratidão muda todo o cenário no caminho. Quem não consegue olhar para vida com contentamento, jamais vai se contentar com coisa alguma na vida. "Eu aprendi a viver contente em toda e qualquer situação, tanto sei estar humilhado como ser honrado, tenho experiência de tudo, tanto de abundância quanto de escassez. Tudo posso Naquele que me fortalece". O que este cara está dizendo, é que tanto faz a cara da estrada, ele faz o caminho com contentamento no coração. O verso 10 nos diz isso: "Pois um dia nos teus átrios, vale mais do que mil". Qualidade vale mais do que quantidade. Prefiro estar a porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. 9- E por último, a estrada se transforma no bom caminho quando eu ando com a certeza de que Deus é a luz do meu caminho, é o escudo, é a proteção da minha jornada. E que Nele eu posso confiar sem duvidar, porque Ele não sonega sua graça a mim, nem a ninguém. E a provisão de Deus para mim é sempre: bem. Olha só os versos 11 e 12: "Porque o Senhor Deus é sol". Sol, o Senhor Deus é sol. Você vai andar nesse caminho seja qual for a estrada, pode ter certeza alguns vão dizer: não estou vendo nada. Mas se você estiver andando no caminho conforme aquele que faz o seu caminho pisando no chão da graça e da misericórdia, esse vai dizer: "O Senhor Deus é sol e escudo, o Senhor dá graça e glória, nenhum bem sonega aos que andam retamente. Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em Ti confia". CONCLUSÃO Eu falei tudo isso apenas para falar o que vou dizer agora, e se você não ouvir o que eu vou dizer agora, não interessa o quanto você ouviu do que eu disse antes. O que eu quero te dizer com o meu coração mais amigo, mais irmão, é que a maioria de nós, apenas existe na estrada da religião. Para maioria de nós, Jesus é o líder da religião cristã. Por isso a gente não devia nem ficar chateado quando ele é colocado naquela lista dos 100 mais. Eu vejo os crentes chateados: botaram Jesus na lista dos 100 mais, das 100 maiores personalidades da civilização humana. Eu digo: bem feito, vocês é que fizeram dele o líder do cristianismo. Então ele é colega de Maomé, de Buda, de Confúcio, de Zoroastro, de Kardec, ou de qualquer outro líder que apareça por aí. Esse é o Jesus da estrada, esse é o Jesus que a gente oferece num catecismo, que a gente dá num livrinho de discipulado. (Acho engraçado essa história de discipulado. O que que você está fazendo? "Discipulado". O que é isso? "Eu me reúno de segunda, quarta e sexta, com uma irmãzinha que abre aquele manual que o pastor escreveu, mal escrito. Na maioria das vezes, ele não sabe nem o que está acontecendo, ele copiou de algum americano, que é mestre em fazer receita. Porque os Estados Unidos foram os que desenvolveram essa fé de liquidificador, de manual eletrônico: quatros passos para salvação, doze para prosperidade, sete para pacificação, é tudo assim. É a fé da estrada. "Curva perigosa". "Chão derrapante". "Posto de gasolina a 30 km": é o congresso para qual o indivíduo vai. "Fast-food" é o culto. "Shopping a direita": são algumas igrejas que só vendem fetiche. Aí o cara fica pensando que isso é andar com Jesus. Discipulado... Onde é que se já viu discipulado ser 12 lições, 24, 320. Jesus disse "segue-me pela vida", gente. Discipulado é aprendendo, quebrando a cara, arrebentando dente, levantando, socorrendo o caído que não tem nome, sendo socorrido na hora que você não esperou que ia cair. É aprendendo...) O Caminho gera Verdade, e a Verdade acontece na Vida. Não é nenhum outro manual. O caminho de Jesus é na vida. Discípulos de Jesus são formados não em cursos, mas no curso da existência. A maioria de nós ainda está na estrada da religião. O convite de Jesus é para você vir para o caminho da vida. E aí você vai descobrir que a estrada é mesma, que a vida é perversa, que a existência é absurda, que há todas as razões para ser nauseante e insuportável; que não há justiça mesmo, que as injustiças grassam, que o trabalhador pode sair para trabalhar e ser assaltado, o assaltante pode estar o tempo todo de olho simplesmente para ver a melhor hora de te tomar tudo. É o caminho dele, na estrada que é tua. O sacerdote pode passar e dizer: 'Esse aí já não tem mais o que dar, se ele estivesse pelo menos rico, eu iria ajudar para ver se ele dava uma oferta lá na sinagoga.' Aí vem o levita, "Eu sou discípulo do sacerdote", ele diz. "O sacerdote não fez nada, eu não vou fazer nada também, esse aqui não é o meu caminho". Ele pode até espiritualizar: "Não é a minha vocação". Está tudo tão esquizofrenizado, que o cara diz: "Não, o Senhor me chamou para interceder, eu vou andando pelo caminho, intercedendo por ele, que o Senhor mande alguém que cuide dele". Ai a gente fica achando, que nós somos os bons desta vida. E Deus ironicamente, Jesus de maneira irônica e caustica, elegeu para ser o herói do caminho, o anti-herói da nossa estrada. O samaritano, o herege, é o anti-herói da estrada da religião, e é o herói do caminho da vida. Hoje o que eu queria é que você fizesse uma decisão: se você quer continuar a ser um cara da estrada ou se você quer ser do caminho. Não há nenhuma promessa de que o mundo vai mudar, Jesus disse: "No mundo tereis aflições". A profecia está feita. "Mas tende bom ânimo, eu venci mundo". O milagre é que a estrada pode ser a mesma, mas o caminho será diferente. Porque você vai chamar o caminho à existência, conforme você pisa no chão da vida. Acaba aqui também a lamúria, o queixume. "Ai meu Deus porque que a vida foi tão madrasta para mim, quanta injustiça que eu sofro, logo eu que sou essa mulher devota, e santificada, que me preservo para o Senhor e só encontro canalha". Minha querida na estrada está cheio de canalha. Por que você não chama a existência o seu caminho, pisando de outra forma, olhando de outro modo, discernindo por outra perspectiva, entendo a si mesmo e aquilo que significa valor para você de outra forma? Hoje eu queria em nome do Senhor Jesus, convidar você a dizer: "Senhor, a estrada é comum para todos nós, ajuda-me a fazer o caminha da vida. E eu não quero ser um indivíduo da estrada religião que é física e é fixa. Eu quero caminhar no caminho da vida e da verdade em Jesus". Porque o caminho muda, conforme eu mudo no caminho, e o meu caminho vai mudar, conforme eu olho o caminho mudado. Bem-aventurado é o homem que passa vale árido e faz dele um manancial. Ele carrega no coração os caminhos aplanados. O caminho só muda do lado de fora, quando ele muda do lado de dentro. Não existe nenhum caminho do lado de fora que vai lhe ser bom, a menos que você carregue um bom caminho no coração. Esqueça a Jesus como estrada doutrinária e fixa. Ande no caminho vivo, onde o que vale é o seu modo de caminhar. Como é que você tem caminhado? O que vale é o seu modo de caminhar. É só o que vale, meu querido, é o seu modo de caminhar. A gente fica pensando que o que faz diferença é o QI. Nós somos muito bobos. Os seres mais maravilhosos que eu conheço chegam a ser quase estúpidos do ponto de vista do QI. São os Forrest Gump que estão por aí, que podem simplesmente dizer: olha, eu não sei muita coisa, mas eu sei o que é amar. O que importa é o seu modo de caminhar. A gente fica invejando o caminho dos perversos, dos malfeitores, fica com dor de cotovelo porque o cara é ladrão. "Ó Senhor porque Tu não me visita com a prosperidade do fulano". Você sabe quem é o fulano? Ele é o assaltante da estrada, meu amigo. Nessa estrada se você não tiver opção, se você não puder ser o bom Samaritano, peça a Deus para ser o roubado. Sério! Se você não puder ser o bom Samaritano, só não seja o bom Samaritano se você for o roubado. Porque ainda está em mil vezes melhor situação do que o sacerdote, o levita e o ladrão. Mas tem gente pedindo a Deus a benção de ser o ladrão. Quando eu fico vendo, de quem que as pessoas tem inveja, elas tem inveja do ladrão, do ladrão religioso, do ladrão político, do ladrão em vários lugares, em várias situações da vida. Ladrão existencial. Porque o modo do caminho que você ambiciona é o modo da morte. Tem gente que ambiciona o caminho do sacerdote, é aquele cara tão imponente. O sonho de consumo de alguns pastores é andarem cercados de 5 seguranças. "Olha que maravilha, tenho um carro blindado". Você pode imaginar um negócio desse, um homem de Deus que sonha em ter um carro blindado. O que eu já vi e ouvi de pastores dizendo assim: "O Senhor tem nos abençoado muito, a nossa igreja cresceu muito, cresceu tanto que inclusive eu tive que contratar 5 seguranças". O sonho dessa cara é ser o sacerdote. Que caminho é esse? Ou o do levita, o egoísta, só pensa na sobrevivência e na alto preservação, o negócio dele é: não me tocou tá bom, to nem aí, to nem aí, to nem aí. Nessa estrada só tem dois caminhos de vida, ou do cara que quase foi morto porque estava andando no caminho da dignidade, ou do outro que não teve medo de ser morto porque estava andando no caminho da misericórdia. Isso muda tudo, altera tudo gente, você passar a olhar a vida assim. Teu pai não vai mudar, nem a tua mãe necessariamente, nem os vizinhos, nem a escola, nem o trabalho, mas você vai mudar, e o seu caminho vai mudar de maneira assustadora. Eu passei por muita coisa difícil nos últimos 7 anos, eu podia ter ficado completamente amargo, ter adoecido, irrecuperavelmente triste. Mas eu encontrei os teus altares Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu. Faz 3 meses que eu perdi um filho... amado! Estou morrendo de saudade dele... estou aqui com perfume dele... esse cheirinho aqui é dele... do perfume dele. Mas a vida tá bonita! Porque o caminho não é a estrada que faz, você é que faz. Na estrada pode acontecer tudo, mas tudo que aconteça não será nada, se não acontecer contigo, ou se você processar como vida, e não como morte. O caminho de Deus é caminho de graça, de misericórdia, quem olha a vida com graça e com misericórdia, jamais ficará amargo. Sempre vai entender que por trás de qualquer tranco, tem bondade, tem um bem guardado, tem um tesouro oculto, tem no mínimo uma palavra que diz: "o que eu faço tu não sabes agora, compreendê-lo-ás depois".
Aí você começa a descobrir que seu coração vai melhorando, que a sua visão vai ficando mais clara, que o que tem valor salta, que o que não tem valor fenece. Aí você começa a descobrir que você não precisa de nada além de um ninho, e que esse ninho está em Deus. Suas inseguranças vão diminuindo, os lugares estranhos vão ficando diferentes. Até aquilo que você abomina, na hora que o caminho muda dentro de você, a estrada fica diferente fora de você. Até aquilo que antes lhe parecia completamente intolerável e insuportável, perde o significado de intolerabilidade. Quando o caminho mudou em ti e você pela fé pisou com atitude de gratidão e de contentamento no chão para ver que o caminho esta sendo feito pela gratidão e nem a estrada ruim resiste a chegada desse novo caminho. Agora isto acontece com Jesus enquanto a gente vive. Para que isso aconteça, você não pode ter medo de viver, você vai ter que viver! E viver pela fé, e viver desassombradamente e viver como quem contabiliza todas as coisas como lucro. Lucro. Tudo é lucro no caminho, meu querido. Se você ouviu e entendeu, e se o Espírito Santo falou com você e você hoje diz para si mesmo: "Ó Deus, me perdoa! A vida está tão feia, porque meus olhos são feios. A estrada está tão maligna, porque meus olhos estão impregnados de treva. Mas, eu aprendi hoje que o importante não é a estrada, o importante é como eu caminho. Ajuda-me a caminhar no caminho da vida, da gratidão, do contentamento, da fé, da misericórdia, da graça, e não deixe que eu fique impressionado com nenhuma estrada. Por que o importante é o modo como a gente caminha". Daqui a uns anos a gente vai olhar para trás, e o que vai ficar não é a inteligência, nem a burrice, não é a riqueza e nem a pobreza, não é afluência e nem a escassez; a única coisa que vai ficar é o modo como você caminhou. João Batista teve a sua cabeça cortada e oferecida num banquete num prato para satisfazer a volúpia provocada por uma dança. Aparentemente um trágico fim, mas o modo do caminho dele, fez Jesus dizer: "Em verdade vos digo que dos nascidos de mulher ninguém foi como João". O que importa, meu querido, não é o que te façam; o que importa é o que você faz de você mesmo na presença de Deus. É o modo como você caminha. E se você hoje, recebeu o chamado do Espírito de Deus no fundo do seu ser, para não ficar mais impressionado com a estrada, vai fazer um compromisso de um caminhar diferente, pela fé, sabendo que o que importa é o modo do caminhar. E que se a gente caminha, conforme o caminho, cada passo chama a existência uma coisa nova e boa. Não importa qual seja a estrada, o caminho será de vida. Se você ficou convencido disso e quer hoje, fazer a oração daqueles que pedem a Deus para desintoxicá-los da estrada, das exterioridades, da religião, das comparações, das invejas, das ambições malignas, das frustrações que projetam o tempo todo para nós alvos inalcançáveis, enquanto o individuo deixa de aproveitar o pão nosso de cada dia, e a alegria de hoje, e a celebração de Deus hoje. Sabendo que grande não foi Nabucodonozor, maior do que ele foi João Batista, que comia gafanhoto, bebia mel silvestre e vestia roupa de camelo. Você tem que decidir se você quer uma estrada pavimentada, uma highway para os homens ou se você quer andar no caminho de Deus, onde a alma anda sempre rica não importa o que aconteça. Se você tomou essa decisão, isso vai revolucionar sua vida, vai mexer com toda sua existência. Se você olhar assim, apreciar assim, contemplar assim e souber que a vida vai em cada passo, está no modo, está no "como" da caminhada, aí bem-aventurado você será! Caio Fábio
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Postado por Blog do Caminho

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ou é Evangelho ou é doença.

Como podemos conhecer Jesus nos evangelhos e, por tal via, confessarmos que O conhecemos pela fé, e, ainda assim, nos deixarmos levar por tantas outras coisas chamadas espirituais que nada têm a ver com Jesus ou com o espírito do Evangelho? Paulo falou de conhecer Jesus no espírito e conhecer Jesus segundo a carne. Ora, conhecer Jesus segundo a carne é conhecer apenas o Jesus-Informação-Histórico-Religiosa. Nos dias de Paulo, essa denúncia também incidia sobre aqueles que se diziam discípulos de Jesus mas viviam na Lei, e não na Graça. Conquanto Jesus seja também uma informação histórica — afinal Ele existiu, e nós não estávamos lá quando isso aconteceu, razão pela qual dependemos completamente das descrições que os evangelhos fazem de Jesus a fim de melhor discernir Seu espírito —, no entanto, o discernimento de Quem Ele era só acontece como revelação de Deus no coração. Do contrário, a pessoa pode até confessar a Jesus como Senhor, mas fazer isso como crença religiosa, e não como o fruto de uma relação de Conhecimento de Jesus. A História do Cristianismo está marcada por aqueles que conheceram Jesus segundo a carne (a maioria quase absoluta) e aqueles que O conheceram segundo o espírito. Aliás, se fôssemos medir qual dos inimigos do Evangelho mais demandaram energia de Jesus e de Paulo, veríamos que o diabo, o mundo, o império romano e todas as Potestades não estiveram na “pauta dos incômodos” de suas vidas tanto quanto os que conheciam Jesus apenas segundo a carne. Jesus “gastou mais energia” nos encontros com escribas, fariseus, saduceus e autoridades do Templo do que com qualquer outra forma de oposição. Seus suspiros de angústia sempre foram provocados por estes. Já Paulo teve nos “falsos irmãos” e nos “judeus zelosos da lei” seus maiores inimigos. É como combate às heresias que pretendiam relativizar a Graça de Deus que o tema central de suas cartas acontece, ora combatendo o ascetismo religioso de influência grega, que buscava purificação pela abstinência de quase tudo ou pelo conhecimento de supostos mistérios, ora enfrentando as mesmas relativizações da Graça que eram feitas pelo outro pólo, o pólo da Lei, que, se fosse crida como estando ainda vigente, desconstruiria o significado da Cruz de Cristo. A respeito disso Paulo diz que a Lei morreu com Ele na Cruz para que, agora, libertos de nosso antigo e penoso casamento com a Lei, pudéssemos ficar livres para nos casar de novo, agora com a Graça de Deus em Cristo. Desse modo, conhecer Jesus apenas segundo a carne faz de muita gente vampiros sugadores da energia de almas boas. Sim, porque os que mais sugaram o sangue de Paulo foram estes. É esse conhecimento de Jesus segundo a carne, apenas como informação histórica e dogmática, o que mais drena a energia espiritual de quem deveria estar pregando o Reino de Deus, e não sendo sugado pelas sanguessugas da religião. Eu ousaria dizer que talvez 95 por cento do que suga a nossa energia na “causa cristã” nada tem a ver com Jesus segundo o espírito, mas apenas com o Jesus segundo a carne. Ora, isso vai das formalidades e das politicagens dos concílios e das convenções denominacionais e ministeriais até as mais cretinas formas de perversidade praticadas em nome de Jesus, feitas de fofocas, intrigas, intervenções, tiranias, perseguições neuróticas e invenções mirabolantes que tiram a simplicidade do Evangelho, fazendo dele um feioso produto da religião. Conhecer Jesus apenas segundo a carne faz mais mal do que não conhecer Jesus de modo algum. Isso porque nenhuma perversidade é mais chocante do que aquela que se faz em nome de Jesus ou que se torna farisaísmo legalista feito em nome dEle, pois isso introjeta o oposto na alma: o ser-diabo, como Judas, que O conheceu segundo a carne apenas. Paulo um dia conheceu Jesus como informação histórica apenas, e dedicou-se a acabar com Ele na Terra. Resfolegava ódio. Ficou perverso. Torturou. Fez muitos sentirem tanto medo e dor que negaram a própria fé. Paulo foi membro do “DOI COD” dos que apenas conhecem Jesus “de fora”. É que qualquer associação com Jesus que não seja no espírito, como conhecimento relacional, mediante apenas a fé, não tem o poder de fazer bem, embora tenha o poder de fazer o pior mal, que é o Mal de Lúcifer: aquele que vira diabo na presença-não-amada-de-Deus. Sim, eu lhes digo, amigos, sem medo de errar: é melhor que uma pessoa não conheça nada de Jesus e viva solitária e ignorante na beira de um barranco de um rio da África ou do Amazonas do que dizer que conhece Jesus quando apenas conhece a Sua suposta representação: a igreja e seus muitos e muitos ídolos, lugar onde muitas vezes reina a soberba, que foi a condenação do diabo. Sim! É melhor nada saber do que pensar que sabe e, naquele Dia, ouvir o Senhor dizer: “Eu nunca vos conheci”. Conhecer Jesus segundo o espírito é conhecer o espírito do Evangelho, e, no poder e na liberdade no Espírito Santo, experimentar o Evangelho como supremo benefício para a vida. Conhecer Jesus segundo a carne é como olhar para um Objeto do lado de fora, observando-o. Já conhecer Jesus segundo o espírito é como ver “de dentro” da Pessoa dEle. Sim, você passa a ver tudo “de dentro”, não mais “de fora”. E isso só acontece como iluminação dos olhos do coração, os quais só são abertos pela manifestação da Graça, abrindo o entendimento. Do contrário, nem todos os seminários de teologia podem abrir espiritualmente o entendimento de ninguém. Enquanto Deus é visto “de fora” e não “de dentro” dEle, saiba: a pessoa não conheceu ainda o que é "estar em Cristo”. Ora, “estar em Cristo” é de fato estar em Cristo. Daí em diante se vive e se vê “de dentro”, pois, pela mesma razão, se pode também dizer: “Cristo vive em mim!” NEle,Caio

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O DISCÍPULO PSÍQUICO E O DISCÍPULO PNEUMÁTICO

Quem me tem lido ultimamente deve estar notando minha ênfase na diferenciação entre a vida do Homem Psíquico (Natural) e a do Homem Pneumático (Espiritual).

Escrevendo antes de qualquer outro, Paulo diz que há discípulos de Jesus que vivem ainda na alma e há aqueles que vivem no espírito e no Espírito.

Acerca do Discípulo Psíquico, Paulo diz o seguinte:

Ele crê em Jesus numa certa medida. Aceitou a idéia de que Jesus, pelo Seu poder, provou que era Deus. Foi educado a ter “Deus” na vida, por isso — pela prova do Poder, pela satisfação na lógica doutrinária, pela necessidade de Deus na alma e pelos encontros humanos que acontecem quando alguém se aproxima da fé (encontros que, para muitos, constituem o único grupo social de convívio) —, muita gente fica; e crê no que crê; e vai aprendendo a fé como ensino pedagógico; e passa a falar o que sabe; e, assim, se compromete social e publicamente com a fé pela confissão assistida por muitos. E por tal razão, envolve-se mais profundamente com a comunidade, o que leva a pessoa a subir na escala das percepções de terceiros e, depois, das importâncias.
Desse modo, assim surge mais um Discípulo Psíquico, que ensinará a outros o que aprendeu, embora para ele mesmo isso não se traduza, de fato, em paz, em segurança, em consciência firme e segura, em certeza para a vida, em relação com Deus e em entendimento do sentido simples e revolucionário do Evangelho. Tampouco isso o torna pacificado em seu ser, pois apesar de tudo isso, o Discípulo Psíquico ainda vive a experiência de Deus do mesmo modo como vive a experiência psíquica de um relacionamento humano importante (nem sempre essencial). Por isso, ele prova Deus com a alma, com as emoções e com os serviços prestados a Ele no meio do povo. Todavia, ainda assim não passou do nível da alma, e, por tal fato existencial, vive à mercê de impressões, opiniões, percepções de terceiros. Vive angustiado porque é invejoso, ciumento, possessivo, implicante, crescentemente hostil ao mesmo tempo em que é sempre lascivo; sempre sexualmente meio imprensado no ventre pelo estranho peso de desejos. Ao mesmo tempo, na vida social ele tenta se mostrar digno de um bom testemunho, enquanto na “igreja-comunidade” ele começa a experimentar cada vez mais intensamente a necessidade de ser percebido como aquilo que ele não é, e, assim, nasce o Discípulo Psíquico Engajado: um crente-homem-natural, mas que pode ser o Arcebispo de qualquer coisa.

Na maioria das vezes o Discípulo Psíquico é religioso, pois a alma pede ritos; assim como o corpo pede água e pão, ela come símbolos.

Já o Discípulo Pneumático não é assim. Ele pode até já ter sido um Discípulo Psíquico que discerniu e fez a virada; entretanto, a maioria dos que se tornam Discípulos Pneumáticos já são assim em razão da qualidade essencial da experiência de Deus que tiveram pela fé desde o inicio.

Paulo, por exemplo, fez uma viagem diferente da de Pedro, que foi de homem natural a homem espiritual. Paulo, entretanto, já nasceu para além do homem natural, como tenho visto acontecer com muitos e muitos.

Paulo simplifica a descrição de tal ser apenas dizendo que ele vive pela fé no Filho de Deus que o amou e a Si mesmo se entregou por ele, e mais: que tal revelação sempre se faz acompanhar do fruto do amor, e o amor é espiritual, pois Deus é amor. Por isso o Discípulo Pneumático é filho exclusivamente do dogma do amor. E para ele, qualquer outra via é inviável.

Ora, o Discípulo Pneumático é um ser Psíquico também. Portanto, se emociona, chora, ri, gargalha, experimenta solidão, sente necessidade de amigos, deseja e quer ser desejado em amor, tem sonhos, gosta do que gosta e prefere o que prefere; e tudo o mais que é como a alma gosta. Todavia, conforme se vê na existência de Paulo, tão evidentes em suas cartas, tais coisas da alma podem e devem ser conduzidas pelo espírito. Em tal caso, não são elas que determinam o andar e o agir (reagir) da pessoa, mas sim a sua consciência, sempre dando preferência à sabedoria em vez do mero impulso ou desejo, e, desse modo, tendo sempre a chance de não se condenar naquilo que aprova, pois no amor não há a vontade de chocar ou de ferir ninguém. E ao mesmo tempo, como o amor é o condutor da verdade de Deus, a pessoa também não deixa de buscar crescer serena e sensatamente naquilo que aprova, conferindo sempre coisas espirituais com coisas espirituais, de modo que ela não se sente mais julgada por ninguém, posto que ela mesma julga em si todas as coisas.

Assim é o caminho do Discípulo Pneumático. Nesse ponto a pessoa goza sem machucar; alegra-se sem ofender; chora sem se lamuriar; enfrenta sem se fazer inimigo; e aprecia tudo o que faz bem, e não apenas o que é sensorialmente gostoso.

Ora, pelo que está acima, por coisas outras ditas anteriormente e por milhares de outras razões ainda a serem declaradas é que estou dizendo tudo o que nos últimos dias tem sido a minha ênfase acerca da alma e do espírito. E tudo isso não com a intenção de desintegrá-los; ao contrário, na intenção de integrá-los, pois a vida abundante vem da integração de todas as dimensões no Espírito Santo — e isso inclui nosso corpo-ser: lugar síntese da integração visível de nosso ser total.

Pense nisso!


Caio

07/09/07
Manaus
AM

domingo, 11 de novembro de 2007

O EVANGELHO:PALAVRA E ESPÍRITO!

Tenho dito repetidamente que os evangelhos são narrativas históricas das ações e acontecimentos relacionados a Jesus, bem como de Suas Palavras. O Evangelho, todavia, é um espírito. Os evangelhos são o corpo. O Evangelho é o espírito no corpo. Para muitos os evangelhos são apenas palavras. Para outros são narrativas. Para outros eles são palavras inspiradas. Para muito mais gente ainda eles são apenas palavras mágicas. Para a maioria, no entanto, eles são os quatro primeiros livros do Novo Testamento, sendo, portanto, parte da Bíblia Sagrada. O terno evangelho é também bastante usado para caracterizar a conversão; tipo: “Quando eu vim para o Evangelho”; significando: “Quando me converti e entrei pra a igreja”. O Evangelho, no entanto, é espírito e vida. Foi isso que Jesus disse. Deus é espírito, e, portanto, Suas palavras são espírito e vida. O Evangelho é espírito e é um espírito. É espírito porque carrega o poder da verdade absoluta e produz vida onde quer que chegue. E é um espírito porque não é letra. Ora, sempre se diz e se repete que a “letra mata, mas que o espírito vivifica”. Até os mais letristas, legalistas, e escribas de textos em cuneiforme repetem essa frase. Eles, no entanto, não pensam que até as palavras de Jesus podem se transformar apenas em letra morta. Sim, as palavras de Jesus, vistas apenas como algo fixo, e que não carrega um sentir de uma justiça aplicável em qualquer lugar ou tempo da existência humana e dos humanos—tornam-se em letra morta, e nada realizam de bom para o ser. Jesus ensinou que o Espírito Santo atualizaria a Palavra do Evangelho conforme o tempo, as circunstancias e a necessidade; especialmente na hora da opressão. Em alguns lugares, em narrativas dos evangelhos, isto que acabei de afirmar fica mais do que explicitado. Por exemplo, aquela seqüência de Lucas 9 é assustadora. Jesus parece não ter critérios. Pede o impensável. Diz a um filho enlutado que não há tempo para sepultar o próprio pai; garante a outra pessoa que não dá tempo nem mesmo de voltar em casa para se despedir; e a um outro diz que mesmo o casamento pode ser deixado para trás a fim de que se seguisse o Caminho. Ora, tais palavras feitas letra se tornam insuportáveis e desumanas, isso se aplicadas indiscriminadamente na vida, e para qualquer pessoa, ou em qualquer daquelas situações. O espírito que aquelas ocorrências carregam, este sim, é o espírito do Evangelho, posto que só pode ser discernido como espírito, e não como letra; pois, nesse caso, sendo letra e lei, seriam apenas palavras de morte e não de vida; porém, como espírito, as palavras se renovam; e se fazem entender como urgência, como a sobrevalorização do que é eterno em relação ao que é passageiro, e como afirmação do amor ao reino de Deus sobre qualquer outro grande amor. O Evangelho é espírito e vida; e é também vida no espírito, tanto com ‘e’ minúsculo, como também com ‘e’ maiúsculo. O que o torna letra é a tentativa de confiná-lo a um código de doutrinas ou de preceitos morais e dogmáticos. Nessa hora e nesse dia o Evangelho vira apenas o suporte técnico — via ‘os evangelhos’ — para ajudar no levantamento do edifício pedrado, da câmara mortuária, que é erigida para abrigar os Credos e as Dogmáticas: a versão cristã do Livro dos Mortos. Deus é espírito. A Palavra é espírito. O Espírito é como o vento. O vento é como o espírito. A iluminação é no espírito. O Novo Nascimento é no espírito. O nascido de novo é como o vento, como o espírito. O discernimento é espiritual, e a sua atualização é feita pelo Espírito. Por isso o Evangelho é mais que palavras, ensinos congelados, e narrativas transformadas e acontecimentos e calendários religiosos. Assim como Deus é, a Palavra é. E assim como é a Palavra, assim é o Evangelho; visto que nada há mais vivo e espiritual do que a Encarnação Daquele que é espírito; o que faz das narrativas dos evangelhos descrições de Deus entre os homens; e o que também faz de tais narrativas analogias espirituais que encontram sua propriedade e pertinência em qualquer tempo ou era da existência humana. É isto que quero dizer quando digo que o Evangelho é espírito; e também que há algo que deve ser definido como ‘espírito do Evangelho’; e que é o aplicativo do Evangelho ao tempo, conforme a atualização que o Espírito faz; e que é o olhar do Evangelho em cada geração; sendo, no entanto, o olhar do amor.

Nele,

Caio

11/06/05

terça-feira, 6 de novembro de 2007

TESOUROS EM VASO DE BARRO.

Deus decidiu guardar Seus tesouros em recipientes muito fracos. Por isso, temos nosso tesouro em vasos de barro—que somos nós mesmos—, para que a excelência do poder seja de Deus, e nunca nosso. O poder de Deus sempre se aperfeiçoa na nossa fraqueza, pois, do contrário, certamente ficaríamos arrogantes.Por essa razão é que em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos. Assim caminhamos, sempre trazendo no nosso corpo o morrer, para que também a vida de Jesus se manifeste em nós. Isto porque, nós, que vivemos pela fé em Cristo, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus e para crescermos em Sua Graça.Ora, isto também acontece a fim de que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal, que só pode experimentar vida tão mais excelente, se nossa animalidade mais básica for sempre relativizada.E se desejamos muito ser instrumentos de Deus—também pura obra da Graça—, ainda mais teremos que conhecer o caminho da fraqueza, a fim de que discirnamos nossos próprios corações. Por essa razão é que aquele que é visto como alguém que edifica a outros, mais profundamente conhecerá a operação da morte, para que outros possam experimentar a vida.As dores de uns são as sabedorias de Graça que trarão vida a outros.Ora, o espírito de nossa fé é simples, e manifesta-se conforme está escrito: Eu cri, por isso falei!Também nós cremos, por isso também falamos!Mas fazemos isto sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará a com Ele—Sim, a todos nós!Desse modo, sendo já herdeiros de todas as coisas, mesmo que existindo em fraqueza, devemos saber que todas as coisas existem por amor de nós.Somente pessoas conscientes de sua própria fraqueza podem experimentar esse privilégio como gratidão, e nunca como arrogância. E tal consciência não se jacta como se isto fosse uma conquista individual e pessoal. Essa Graça está sobre muitos.Isto para que a Graça, multiplicada por meio da vida e dons de muitos, faça abundar muita gratidão entre os homens para a Glória de Deus.É por essa razão que não desfalecemos nunca. Mesmo quando vemos o nosso “homem exterior” se consumindo, pois sabemos que existe uma contra partida. Afinal, na mesma proporção, o nosso “homem interior” se renova de dia em dia.Dito isto, quero apenas recordar que não somos filhos da animalidade. Temos um tesouro eterno habitando em nossa fraqueza.Ora, tal consciência gera muita paz. Afinal, sabemos que a nossa tribulação na terra é leve e momentânea, mas produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória.Dessa forma devemos andar pela fé. Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem. As coisas que pertencem aos sentidos—as que se vêem—são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.Quem tem essa consciência em fé, já não se queixa. Nem tampouco julga que o vaso seja importante. Afinal, o vaso é de barro, tirado do pó—e ao pó voltará! Mas o tesouro, esse sim, é eterno. E já nos habita como santa contradição da Graça, embora seus portadores sejam sempre expostas a fraqueza.Essa é a fé que permite celebrar a Graça e a Vida com saúde. E nunca se gloriar do que possui, pois, de fato, não possui, mas apenas carrega!Caio.Em alegria de provar a Graça juntamente com o irmão Paulo.
Publicado em: 30/09/2003

sábado, 3 de novembro de 2007

Qual é o bem do evangelho em sua vida ?

Por que eu digo que creio no Evangelho?— é a pergunta que todo discípulo de Jesus deve se fazer de vez em quando.Isto porque em fases distintas da vida a gente mantém diferentes perspectivas de quem é Deus para nós, quem somos nós para Ele, e quais são nossas motivações em relação a Deus no que diz respeito ao nosso modo de viver a fé, e, sobretudo, de senti-la e expressa-la no mundo.A maioria das pessoas pensam que a única maneira de servir a Deus é se dedicando às programações da igreja, a ter gosto por reuniões de oração, e não ter vergonha de "falar de Jesus" a todos os que encontrarem.O trabalho na vida normal é, para tais pessoas, uma coisa suportável, na melhor das hipóteses. Mas, a maioria, sofre o trabalho, pois gostaria de servir apenas a causa de Deus, que é fazer a igreja crescer, e, assim, dominar a sociedade com a influência dos cristãos.Enquanto isto, entre os pastores, a motivação para pregar a palavra vai da admiração aos "maiores" líderes, ao querer ser útil a Deus, ao ter um nome entre os grandes, ou porque o indivíduo sente que se ele não defender a verdade, ela corre o risco de se perder na Terra. Sem falar daqueles que pregam apenas porque precisam fazê-lo, pois servem-se desse expediente a fim de ganhar dinheiro.Não podemos esquecer também do pastor cansado e desanimado, e que prega gemendo, pois, caso pudesse viver sem o dinheiro da igreja, ele mesmo se aposentaria de tudo.Existem ainda os sinceros, e que pregam com amor aflito e angustiado, pois crêem que se não anunciarem a Jesus, e não plantarem novas igreja! s na Terra, o mundo inteiro está perdido, posto que Deus está de mãos amarradas e sem voz no planeta, a não ser que nos disponhamos a falar e agir por Ele.De um modo geral, a maioria se acostumou a ser "de Jesus", e não tem nem coragem de perguntar se aquela fé é verdade na vida dele, se realiza em sua existência o bem prometido.Quando a existência vai se mostrando tão aflita como a de qualquer outro ser humano da Terra, e quando o "benefício espiritual" não se manifesta como amor, alegria, paz, bondade, longanimidade, mansidão e domínio próprio—mas sim como infelicidade, amargura, ânsia persecutória, juízos e frustrações; então, a honestidade manda perguntar: O que está errado? É o Evangelho que não é verdade? Ou será que eu, na verdade, é que não vivo em verdade o que é o Evangelho?Tem gente que pensa que o Evangelho é o corpo de doutrinas da igreja e seu modo de entender o mundo. Tem gente que pensa que o Evangelho é algo para se ensinar, pois, seria pela propagação da informação que a salvação visitaria a Terra. Tem gente que pensa que o Evangelho é a igreja, de tal modo que ele mesmo é capaz de se referir ao crescimento da igreja no país como o "crescimento do evangelho".O Evangelho é a Boa Nova. O Evangelho é a certeza de que Deus se reconciliou com o mundo, em Cristo; e que agora os homens podem se desamedrontar, pois foi destruído aquele que tem o poder da morte — a saber: o diabo—; bem como foram libertos aqueles que estavam sujeitos à escravidão do medo da morte por toda a vida. Quem crer está livre, e pronto para começar a andar na paz.Ora, para se ter prazer em pregar o verdadeiro Evangelho—sem medo, sem ameaça, sem barganha, e sem galardão quantitativo, mas apenas qualitativo—, só se o coração estiver grato e cheio de amor. Ou seja: só se o indivíduo estiver tão pacificado na Graça, que pregar seja algo tão simples quanto o é para uma mangueira dar seus próprios frutos.Quando o Evangelho é a Boa Nova que livra do medo, então, anuncia-lo só é possível como puro e simples fruto da alegria e da gratidão contente.Eu acredito no poder do amor, da alegria, da gratidão e do contentamento. Por tais realidades espirituais é que a Boa Nova pode ser vivida e anunciada sem que a morte participe da motivação.A alegria de conhecer a Deus é o único motivador que deve motivar a anuncio do Evangelho.Portanto, quando o benefício do Evangelho se manifesta como bem espiritual—e que se expressa como amor, alegria, paz, bondade, benignidade, longanimidade, mansidão e domínio próprio na existência do indivíduo—, então, o seu anuncio não é nunca uma forçassão de barra, mas algo próprio e simples, a gera alegria nos corações dos que ouvem, pois, antes de ouvirem, eles mesmos viram o Evangelho na existência daquele que o anuncia.O Evangelho é Verdade. Mas só é ele que está sendo anunciado quando o resultado realiza libertação interior, pacificando o coração. Do contrário, tem o nome de evangelho, mas não é o Evangelho mesmo.Tem gente que se acostumou à miséria de uma existência sem paz e sem libertação do medo, e continua pensando que isto tudo é culpa do diabo, ao invés de perguntar a si própria: Será que aquilo no que creio é de fato o Evangelho?Preste atenção: o diabo tem poder, mas não tem nenhum poder quando o Evangelho da Graça liberta a consciência humana do medo. Deste dia em diante o diabo não participa mais de nossa vida, nem quando a gente peca. Isto porque uma coisa é pecar sem consciência da Graça. Outra é pecar com a consciência da Graça. No primeiro caso estabelece-se tristeza amargurada. No segundo caso, surge a renovação da consciência, brotando o arrependimento feliz e cheio de produções de vida.Quando o Evangelho é crido, o medo se vai. Então, o diabo perde seu poder. Assim, sem medo, o homem pode começar a si negar, pois ele já não tem que negar quem é. Assim, assumindo quem ele é, morre o "si-mesmo", que é quem ele não é, mas apenas "demonstra ser".Aí, neste ponto, começa a jornada de uma crescente libertação na verdade. E o resultado é um mergulho cada vez mais profundo na paz que excede a todo entendimento.Cristãos nervosos afligem-se com doutrinas. Discípulos de Jesus usufruem a verdade como libertação e pacificação.Onde há o Evangelho, aí há paz!
Caio.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

SOBRE A CAUSA HOMOSSEXUAL, A JUSTIÇA DE DEUS E AS BANDEIRAS DA IGREJA.

"Sobre a vida que não vivi;
Sobre a morte que não morri;
Sobre a morte de outro, a vida de outro,
Minha alma arrisco eternamente."

I

O inferno para qual mandam os homossexuais é o mesmo no qual habitarão todos os chamados "injustos", conforme I Coríntios 6.

Sim, "não herdarão o Reino": os impuros (sabe aquele pessoal que se contamina com tudo que sai de dentro de si mesmo?), os adoradores de outros deuses (sejam os que adoram as figuras do panteão romano ou hindu, sejam os que idolatram Mamom - deus da mais “afortunada” teologia evangélica), os adúlteros (aqueles que mesmo “ao olharem para uma mulher com intenção impura no coração já adulteraram com ela"), além dos que roubam – os trapaceiros e oportunistas, dos que maldizem despudoradamente, dos que se embriagam e se entregam aos excessos, dos que cobiçam e não repartem (melhor escrever assim, porque o termo 'avarento' ninguém admite, ninguém o é, até porque a avareza também cega a percepção de quem só vê o umbigo...), e claro, puxando a fila, os gays, lésbicas e simpatizantes! – numa verdadeira marcha rumo a justa condenação!

Percebam que essa relação de Paulo contém os "tipos existenciais" presentes na sociedade de Corinto. Hoje, muito provavelmente, o escritor inspirado incluiria pedófilos e corruptos – execrados contemporâneos - no mesmo time de praticantes da injustiça contra a alma humana e contra a criação divina. Os coríntios são maquetes das doenças dos homens. São arquétipos da Queda, eles são a escalação da nossa feiúra. São símbolos de tudo que existe dentro de nós, ao menos em potencial. E a igreja de Corinto é uma representação do que acontece com a experiência comunitária quando o direito ao juízo se arvora como bandeira vergonhosa, quando o senso de justiça produz personalidades melindradas e relações litigiosas entre irmãos intolerantes, que para se proteger do dano sofrido o devolvem num toma-lá-da-cá que só vai aumentando. Quando o juízo triunfa, a beligerância cresce, para desapontamento do apóstolo (Leia como Paulo introduz o assunto dos “injustos sem herança” desde o primeiro verso desse capítulo seis e você entenderá).

Esses tais que Paulo descreve e adverte com tiradas irônicas são os mesmos que ele chama de "injustos", segundo o polêmico texto (Texto eleito como um dos estandartes fundamentalistas contra o ativismo gay, mas que podia muito bem também servir para puxar o coro contra o individualismo pós-moderno, por exemplo, pois os não-generosos estão no mesmo barco paulino rumo à perdição!).

Bom...

Tais in-justos... os não-justos... ficarão de fora junto com "os cães, feiticeiros, os adúlteros, os assassinos" e todo esse pessoal da pesada, conforme acrescenta Apocalipse 22.

Injustos – segundo o espírito do Evangelho de Paulo - são todos os que não foram justificados, pois justo MESMO ninguém é... Não há UM sequer!

Não é?

Os injustos são os que foram convidados para a Festa, mas não quiseram ir.
São também representados pelo convidado que foi, mas não se vestiu da Justiça do Anfitrião - achando que se bancava na “carteirada”!
Injusto é quem não volta justificado para sua casa, mesmo depois da oração-currículo-comparação (Lucas 18. 9-14).
Injusto é o cara que dá graças a Deus de "não ser como esse outro!"

II

Meus irmãos, vocês não conseguem enxergar que o versículo selecionado como uma base legal do julgamento moral dos atos homossexuais é o mesmo que nos condena a todos - a não ser que TODOS se encontrem "lavados... santificados... e justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus"? – conforme o mesmo texto?
Não sabem que todos pecaram e todos estão carentes até que estejam sob cobertura do Sangue Daquele que tira o pecado do mundo? Não percebem que ninguém foi aprovado?
Amigos, eu não estou atenuando pecados, ao contrário, estou expondo-os: Homossexuais precisam parar com essa viadagem como eu preciso parar de mentir, de enrolar, de brigar pelo poder, de idolatrar a grana, de tirar do outro o que é dele ou cobiçar-lhe a mulher gostosa!
É simples: Quem olhou de lado para uma mulher vai pro mesmo inferno que aqueles que se deitaram com um homem! Você não vê que o que Paulo está dizendo é que todos nós estamos fora até que Alguém nos ponha para dentro? Daí os injustos não herdarem o Reino; pois "ninguém será justificado diante Dele" (Rm.3.20) com justiça própria. E quem não é por Ele justificado, morrerá em seus pecados.

Do ponto de vista do Evangelho, portanto, os justos não são justos, eles são ímpios agora justificados. São ramos enxertados, são filhos adotados, são ovelhas de outro pasto, são salvos pelo "gongo": "Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!!!"

Mas quem pode agüentar o escândalo de Amor que se vislumbra nos encontros humanos com um Salvador que justifica ímpios, embora não recompense hipócritas??? Que "filho mais velho" a de suportar as "injustas" parábolas da Graça sem espernear, já que a “felicidade” dele depende da não-aceitação do outro no mesmo seio paterno, pois ele só se concebe justo e merecedor do amor e da herança visto "nunca ter transgredido um só dos mandamentos!" Segundo o filho fundamentalista, felicidade maior do que ir para o céu, e ir sem que "esse outro teu filho" vá! Em paralelo, os "justos" da religião gozam com a condenação dos "ímpios" que gozaram com a vida enquanto os primeiros se reprimiam!


III
A conversão de Sodoma

Sim, mas nas narrativas dos evangelhos tais ímpios salvos se arrependeram, irmão Marcelo? - alguém dirá.

É verdade! Lógico! A questão não é essa. A questão é: Como se arrependeram? Qual a jornada rumo ao arrependimento empreendida por publicanos, meretrizes e pecadores que O cercavam?

Faça um exercício de mínima acuidade textual... Volta lá e procura uma única narrativa na qual eles se arrependeram antes de terem sido amados, antes de terem sido alvejados pelo Amor Incondicional do Deus Encarnado, antes de terem sido por Ele acolhidos, reconciliados, chamados e servidos! Sim, mostra um único texto onde Ele não nos amou primeiro! Mostra um!

"Eu não me arrependo para ser perdoado, eu me arrependo porque fui perdoado!" O arrependimento só se faz possível porque há perdão disponível! Isso é claro como a luz do sol, mas quem pode olhar para ele?

Quem, em "sã" consciência religiosa, pode suportar tal "heresia"?

É por isso que as próximas manifestações do Amor de Deus na Terra serão clandestinas à igreja que O representa! O Evangelho crescerá à margem porque a igreja provou-se excessivamente “justa”: Quando chama, ameaça; quando recebe, segrega; quando converte, clona; e quando santifica, infla o indivíduo de si próprio! Daí cruzarem os mares para fazer um prosélito e o tornarem duas vezes mais merecedor do inferno; pois agora ao pecado comportamental juntou-se o cinismo e a hipocrisia religiosa!

Por isso, percebo com pesar que aqueles que mandam descer fogo do céu sobre os homossexuais não sabem de que espírito são!

O Filho do Homem veio salvar, ainda. Veio buscar a mim e a eles, visto sermos todos iguais. Os segredos dos corações dos homens ainda não foram revelados e a História ainda não acabou; contudo a "igreja" impôs-se a incumbência de passar o restante dela julgando preventivamente, querendo administrar o caos, nominar-se trigo, classificar o joio, organizar a Queda.

Sinceramente, penso que a cristandade segue aperfeiçoando sua “herança romano-puritana” de domar genitálias alheias, como quem circuncida gentios para apresentá-los diante da Santa Grei em Jerusalém, a fim de torná-los palatáveis dentro de nossas Sinagogas Cristãs...

Mas Deus não precisa da igreja. Aleluia! Deus não é doido!

O fator Melquisedeque está em operação: zaqueus, levis, madalenas, pedros, ladrões e até nicodemos da vida são atraídos pelo Perdão que dá herança nos Céus e não pela ameaça do fogo do Inferno.
Jesus não faz a Pedagogia do Terror! E toda vez que se aproxima dela e na direção do pessoal da “carteirada” ou é para dizer que haverá menor juízo para sodomitas do que para as cidades abrâmicas que testemunharam o amor de Deus e não se curvaram sobre Seus pés e nem O lavaram com lágrimas! Porque se aqueles des-graçados de Gomorra tivessem tido a experiência da Dádiva desmetida em Jesus, há muito já teriam se convertido!!!!

Então, saibam todos: milagres serão realizados em Sodoma, sinais acontecerão em Gomorra! E então virá o fim!

Aí muitos e muitos e muitos virão do Ocidente e do Oriente e sentar-se-ão à Mesa com Abraão, Isaque e Jacó!!!

IV
Nossa Bandeira também tem muitas cores!

E se eu e você quisermos participar desse derramamento do Espírito sobre toda carne, é melhor mudar o coração; e ao contrário de sair em defesa de Deus por que não sair às ruas com Deus?

Proponho o fim de toda bandeira cristã! Alguém já disse que aqueles que estão crucificados não têm mãos disponíveis para levantar bandeiras!

Não temos bandeiras a não ser o Evangelho!

Nossa bandeira é a Reconciliação. Esse é nosso ministério, isto é, "Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, e nos confiou a Palavra da Reconciliação. De modo que somos Embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse ao mundo...: Reconciliem-se comigo! [Isso é possível, porque] ... Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós, para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus!"

Quem entendeu, entendeu; quem não entendeu, distorça tudo!

"... o Seu estandarte sobre mim é o amor!" Cantares 2.4


V
A Embaixada da Reconciliação e a Utopia do Evangelho

“A gente espera do mundo e o mundo espera de nós um pouco mais de paciência!”

Sugiro mudar a pauta, então. Mudar o tom. Mudar o discurso. Abaixar as mãos.
Todos fomos flagrados em falta!
Sugiro, então, o abraço ao diferente, a amor ao "torto", o acolhimento do equivocado, a inclusão da turba marginalizada em quase dois mil anos de uma igreja preocupada em fazer justiça. Nem a gente se agüenta mais... Vamos virar a página!

Sugiro que os mais des-graçados sejam os mais abraçados!
Sugiro que larguemos as pedras da intolerância e a linguagem da ufania!
Sugiro que pitbulls da severidade e poodles raivosos abandonem a arena...
Sugiro que o ranger dos dentes ativistas dê lugar a um simples sorriso de paz!
Sugiro que ao corpo se dê um pouco mais de alma! Sugiro a Calma.

Sugiro o final do juízo até que ele comece.

Suplico que os discípulos de Jesus sigam Jesus!
E não per-sigam seus semelhantes tão distintamente semelhantes.
E amem o mundo até o limite do insuportável!
E amem o mundo até o mundo odiar o amor!
E amem o mundo até brilhar o SOL DA JUSTIÇA! - A "justiça" que vem pela fé no Filho de Deus!


Arrisquem-se, pelo Amor de Deus!

Vamos precisar de todo mundo!

Amar não nos tornará cúmplices de ninguém e de nada!

Deus é amor!

"(...) toda Terra se encherá da Glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.
Naquele dia, as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por Estandarte dos Povos, e o lugar do seu repouso será glorioso!"
Isaías 11.9-10


Marcelo Quintela

LIVROS DO CAIO FÁBIO ( Livres p/ download ).

Alguns livros do Pr. Caio Fábio foram digitalizados e, agora, estão disponíveis em PDF para download.




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